Vitamina D: devo suplementar?

Saiba mais sobre esse importante micronutriente para além da saúde óssea, como na Covid-19 por exemplo, e o que fazer para manter seus níveis adequados

 

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A vitamina D é na verdade um hormônio esteróide lipossolúvel. O termo vitamina D refere-se a ergocalciferol (vitamina D2) e colecalciferol (vitamina D3) que são formados a partir de suas respectivas pró-vitaminas, ergosterol e 7-desidrocolesterol (7-DHC).


A fonte natural predominante de vitamina D3 em humanos é a produção na pele através da irradiação ultravioleta-B (UV-B) do sol. Tanto a vitamina D3 quanto a D2 podem ser obtidas em menor grau com dietas variadas e em quantidades maiores com alimentos fortificados e suplementos. Óleo de fígado de peixe ou gema de ovo contêm maiores quantidades de vitamina D3 em comparação com outros produtos alimentares, e a vitamina D2 pode ser sintetizada em cogumelos. No entanto, estas não podem ser consideradas uma fonte eficaz para fornecer as doses diárias recomendadas(1).  

 

Há muito se sabe que a vitamina D ajuda a estabelecer e manter os ossos saudáveis, uma vez que ela é necessária para absorção dos minerais cálcio e fósforo que compõem a estrutura óssea. A deficiência de vitamina D perturba o metabolismo ósseo acarretando raquitismo em crianças e osteomalácia, osteoporose, aumento do risco de fratura e periodontite em adultos, devido à mineralização prejudicada do osso. Avanços nas pesquisas da vitamina D indicam efeitos fisiológicos além do musculoesquelético, como imunomodulação, controle da inflamação, do estresse oxidativo e até envelhecimento(2), apontando a vitamina D como um importante micronutriente na prevenção de doenças.

 

Evidências sugerem que a vitamina D pode desempenhar papel na patogênese de várias doenças dermatológicas, cardiovasculares, diabetes mellitus tipo 2, distúrbios autoimunes, câncer e doenças infecciosas como a Covid-19.

Estudos observacionais indicam concentrações séricas mais altas de 25-hidroxivitamina D (forma circulante da vitamina que indica o estoque no corpo) com melhores resultados para várias doenças crônicas, transmissíveis e não transmissíveis. Embora ainda seja conflitante a relação causal da vitamina D na melhora de doenças, uma vez que há outros estudos mostrando que a hipovitaminose D é um epifenômeno que coincide com os resultados ruins de saúde (oriundos de maus hábitos alimentares e de estilo de vida por exemplo), e que a correção da deficiência de vitamina D por si só não mostra benefícios nessas doenças(3).

 

Foi encontrada maior incidência de casos positivos de SARS-CoV-2 em pessoas com níveis significativamente mais baixos de vitamina D em relação aos casos negativos(4). A deficiência de vitamina D tem sido associada a um risco aumentado de gravidade e mortalidade de COVID-19, o que têm levado a investigações do potencial terapêutico da vitamina D na doença(5). Um dos estudos mostrou que pacientes com hipovitaminose D (baixos níveis da vitamina D) tratados por 10 dias com altas doses da vitamina, tiveram uma melhora terapêutica nos níveis de vitamina D e redução significativa dos marcadores inflamatórios associados à COVID-19 sem quaisquer efeitos colaterais (em comparação ao outro grupo de pacientes que não recebeu a suplementação da vitamina D(6)).

 

Fatores de atenção para deficiência e insuficiência de vitamina D incluem gravidez, tipos de pele mais escura, obesidade, dietas vegetarianas e veganas, cirurgia de bypass gástrico (e outras causas que impedem a absorção intestinal), ocupações internas na maior parte do dia, uso extensivo de protetores solares e cobertura abrangente do corpo impedindo a incidência da luz solar. Para esses casos a suplementação de vitamina D é recomendada, com doses variando entre 400 e 2.000 UI / dia dependendo da idade, peso corporal, status de doença, etnia e latitude de residência(1).

 

Pelo fato do Brasil ser um país tropical, a princípio não é necessário se preocupar com seus níveis de vitamina D, a não ser que não tenha adequada exposição ao sol (pelo menos 30 minutos diários, nos braços e tronco, sem o uso de bloqueador/protetor solar).

 

Lembrando que a suplementação deve ser indicada e acompanhada por profissional de saúde (médico ou nutricionista). O uso de doses extremamente altas de vitamina D por um período prolongado pode causar hipercalcemia, hipercalciúria (desordens na homeostase de cálcio), e redução da densidade mineral óssea.

 

Embora ainda há controvérsia sobre quais concentrações exatas de 25-hidroxivitamina D definem a deficiência e a suficiência de vitamina D, o objetivo da suplementação de vitamina D é atingir e manter as concentrações ideais sem efeitos adversos. A maioria dos estudos mostram concentrações ideais de 25-hidroxivitamina D variando entre 30 e 50 ng / mL (75-125 nmol / L)(1).

 

 Referências:

 1 Pludowski, P., Holick, M. F., Grant, W. B., Konstantynowicz, J., Mascarenhas, M. R., Haq, A., … Wimalawansa, S. J. (2018) Vitamin D supplementation guidelines. J Steroid Biochem Mol Biol., 175:125–135. https://doi.org/10.1016/j.jsbmb.2017.01.021

 2 Wimalawansa, S. J. (2019) Vitamin D Deficiency: Effects on Oxidative Stress, Epigenetics, Gene Regulation, and Aging. Biology, 8(2): 30. https://doi.org/10.3390/biology8020030

 3 Giustina, A., Adler, R. A., Binkley, N., Bouillon, R., Ebeling, P. R., Lazaretti-Castro, M., … Bilezikian, J. P. (2019) Controversies in Vitamin D: Summary Statement From an International Conference. The Journal of Clinical Endocrinology & Metabolism, 104(2): 234–240. https://doi.org/10.1210/jc.2018-01414

 4 D’Avolio, A., Avataneo, V., Manca, A., Cusato, J., De Nicolò, A., Lucchini, R., Keller, F., Cantù, M. (2020) 25-Hydroxyvitamin D Concentrations Are Lower in Patients with Positive PCR for SARS-CoV-2. Nutrients, 12(5):1359. https://doi.org/10.3390/nu12051359

 5 AlSafar, H., Grant, W. B., Hijazi, R., Uddin, M., Alkaabi, N., Tay, G., Mahboub, B., Al Anouti, F. (2021) COVID-19 Disease Severity and Death in Relation to Vitamin D Status among SARS-CoV-2-Positive UAE Residents. Nutrients, 13(5):1714. https://doi.org/10.3390/nu13051714

 6 Lakkireddy, M., Gadiga, S. G., Malathi, R. D. et al. (2021) Impact of daily high dose oral vitamin D therapy on the inflammatory markers in patients with COVID 19 disease. Sci Rep., 11, 10641. https://doi.org/10.1038/s41598-021-90189-4

 

 


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