Saiba como os hábitos alimentares podem influenciar sua saúde e expectativa de vida
A cada dia é mais evidente como os fatores ambientais (aqueles não relacionados à nossa hereditariedade/genética) influenciam no estado de saúde e surgimento de doenças. Como fatores ambientais podemos destacar hábitos de estilo de vida, que incluem alimentação, consumo de álcool, tabagismo, atividade física, stress, rotina de trabalho, poluição, contaminantes em água e solo, entre outros, que são expostos e adotados pelo indivíduo e acabam exercendo influência nos seus genes (evento conhecido como epigenética).
A epigenética abrange os eventos moleculares que ocorrem no
DNA, sem afetar a sequência de DNA em si, mas que são envolvidos no desenvolvimento
e diferenciação celular, metabolismo, variabilidade fenotípica, herdabilidade,
metabolismo, entre outros. A
prática ou a falta de exercício físico, o que comemos e bebemos podem acarretar
em alterações epigenéticas que ocasionam o desenvolvimento de doenças, como o
câncer, por exemplo, que foi a primeira doença humana a ser relacionada ao
processo epigenético.
O importante é que esses fatores ambientais são modificáveis. A mudança do estilo de vida (principalmente relacionado à dieta e atividade física) é a base para a prevenção da diabetes tipo 2 e hipertensão, sendo a alimentação de grande relevância por desempenhar
um papel importante no início e progressão da doença coronariana (que é a
principal causa de morte no mundo), no sobrepeso, obesidade e outras
doenças cardiometabólicas.
Porém, os hábitos alimentares de grande parte da população mundial (principalmente do ocidente) baseiam-se no alto consumo de carnes, alimentos industrializados, ricos em açúcar, gordura saturada, colesterol, e com resíduos de agrotóxicos, poluentes químicos persistentes e metais pesados.
O excesso de ingestão calórica, derivada de um excesso de nutrientes como lipídeos e proteínas, também está relacionado a menores níveis de NAD+ (um cofator vital para as reações metabólicas, regulação de stress energético, genotóxico e infeccioso), que por sua vez estão independentemente associados ao envelhecimento acelerado.
Por outro lado, as dietas vegetarianas e veganas foram
associadas à prevenção de doenças cardiovasculares e do seu risco de mortalidade,
devido a redução do colesterol sérico total e LDL, risco reduzido de diabetes tipo
2, melhora da sensibilidade à insulina e redução de marcadores séricos do
estresse oxidativo, reduzindo o risco também de alguns tipos de câncer.
Um fator relevante que contribui para uma melhor saúde em geral
é a menor média de IMC (índice de massa corporal) e menor pressão sanguínea observada
em vegetarianos/veganos, que por sua vez estão associados a um menor risco de
síndrome metabólica. Além disso, já foi demonstrado que veganos consomem mais
fibras do que os onívoros, fator que também contribui para maior saciedade,
melhor controle do peso, prevenção da obesidade e de câncer colorretal.
Outro potencial mecanismo que explica os melhores resultados de saúde (pela reduzida incidência de doenças) em vegetarianos/veganos é a modulação da microbiota intestinal, que está relacionada à redução da inflamação, prevenção de doenças cardiovasculares, melhora da sensibilidade à insulina e dos níveis de lipídios no sangue. Todos esses benefícios estão associados à maior ingestão de frutas, vegetais, nozes e grãos integrais (alimentos ricos em fibras e fitoquímicos), menor ingestão calórica e de gordura saturada e proporcionalmente maior ingestão de gorduras mono e poli-insaturadas, e uma maior proporção de proteína vegetal em comparação com a proteína animal. O que também atende a ingestão diária de pelo menos 400g de frutas e vegetais (equivalente a cinco porções) recomendada pela Organização Mundial da Saúde (OMS) e às Diretrizes Alimentares para a População Brasileira, disponíveis no Guia Alimentar, que preconizam que os alimentos in natura e frescos devem ser a base da alimentação, com grande variedade e majoritariamente de origem vegetal.
Portanto, a alimentação que melhor se aproxima à proteção de doenças é a baseada em alimentos vegetais íntegros, com baixo teor de sódio, sem colesterol, gordura e proteína animal, e fortificada/suplementada com vitamina B12.
Referências:
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