Conheça mais sobre essa doença e como preveni-la
Diabetes é uma doença causada pela produção insuficiente ou ineficiente ação da insulina. A insulina é um hormônio que controla a quantidade de glicose no sangue e a entrada dela nas células para garantir energia e funcionamento do nosso organismo.
Quando a pessoa tem diabetes, o nível de glicose no sangue fica alto (hiperglicemia). Se esse quadro permanecer por longos períodos, poderá haver danos em órgãos, vasos sanguíneos e nervos, o que causa complicações tais como infarto do miocárdio, amputações de membros inferiores, doença renal , deficiência visual e por fim à morte.Existem 3 tipos de diabetes mellitus: tipo 1, tipo 2 e gestacional. A Diabetes tipo 1 é a menos comum e surge desde o nascimento, sendo considerada uma doença autoimune, onde o próprio sistema imune ataca as células do pâncreas responsáveis por produzir a insulina. Já a diabetes tipo 2 acontece devido a uma resistência à insulina, que surge ao longo da vida normalmente devido a maus hábitos alimentares. Essa resistência diminui a ação da insulina e faz com que a glicose acabe se acumulando na corrente sanguínea. A prevalência de diabetes tipo 2 está aumentando em todo o mundo, especialmente em adultos mais velhos.
É uma percepção comum que alimentos ricos em carboidratos devem ser evitados em pessoas que têm, ou estão em risco de ter diabetes tipo 2. Porém, tal como acontece com a proteína e a gordura, é essencial distinguir entre os tipos e fontes de carboidratos. Estudos demonstraram que carboidratos de grãos integrais e fibras reduzem o risco de desenvolver diabetes, enquanto os carboidratos refinados com baixo teor de fibras podem aumentar o risco, e também confirmam os benefícios dos carboidratos em comparação com a proteína animal. Isso porque a gordura saturada, que é encontrada majoritariamente em alimentos de origem animal, contribui para a lipotoxicidade, um fenômeno no qual metabólitos de gordura (por exemplo, espécies de diacilglicerol e ceramida) se acumulam nas células musculares hepáticas e esqueléticas, prejudicando a ação da insulina e, assim, diminuindo a captação de glicose pelas células. Além disso, em pacientes diabéticos, as gorduras saturadas estão associadas ao aumento da mortalidade quando substituem os carboidratos da dieta¹.
Não é de duvidar que dietas centradas em vegetais, priorizando leguminosas (feijão, ervilhas, grão de bico e lentilhas), grãos integrais (arroz, linhaça, gergelim, chia), frutas, nuts (castanhas, amendoim), e desencorajando a maioria ou todos os produtos de origem animal, são potentes na prevenção do diabetes tipo 2, e ainda são associadas a taxas muito mais baixas de obesidade, hipertensão, hiperlipidemia, mortalidade cardiovascular e câncer. E não apenas prevenir diabetes tipo 2, como também tratá-la¹, permitindo a diminuição do remédio usado ou até mesmo a sua suspensão completa (sob orientação médica).
Como exemplo, um estudo que avaliou o efeito de uma dieta estritamente baseada em vegetais (vegana) versus dieta convencional recomendada pela Associação de Diabetes para pacientes com diabetes tipo 2. As pessoas do grupo da dieta convencional tinham que restringir sua ingestão energética diária com base no peso corporal, atividade física e necessidade de controle de peso, enquanto que na dieta baseada em vegetais, as pessoas podiam comer à vontade (esse é um dos benefícios, a ênfase está na qualidade dos alimentos ao invés da quantidade). Ao final do estudo (12 semanas) o grupo da dieta vegana teve redução nos níveis de açúcar no sangue em jejum, maior redução da glicemia glicada (HbA1c), menores níveis de LDL (colesterol “ruim”), maior quantidade de HDL (colesterol “bom”), e ainda perderam mais peso². Assim, o uso de uma dieta vegana por 3 meses mostrou-se mais eficaz para o controle glicêmico entre pacientes com diabetes tipo 2, em comparação com uma dieta convencional recomendada para diabetes.
O resultado final é que nunca foi tão benéfico e urgente adotar uma dieta baseada em vegetais para reduzir o risco de doenças crônicas não transmissíveis (preveníveis) como a diabetes, e melhorar a saúde geral.
Quer saber mais? Recomendo muito a leitura do livro “Comer para não morrer” de Michael Greger e Gene Stone- 1ª Ed., 2018 (à venda por R$35,00 na Americanas, não é jabá não ganho nenhum centavo por isso, apenas sinto o dever de compartilhar conhecimentos para ajudar ao máximo de pessoas).
Referências:
¹ McMacken, M., & Shah, S. (2017). A plant-based diet for the prevention and treatment of type 2 diabetes. Journal of geriatric cardiology : JGC, 14(5), 342–354. https://www.ncbi.nlm.nih.gov/pmc/articles/PMC5466941/...
² Lee Y-M, Kim S-A, Lee I-K, Kim J-G, Park K-G, Jeong J-Y, et al. (2016.) Effect of a Brown Rice Based Vegan Diet and Conventional Diabetic Diet on Glycemic Control of Patients with Type 2 Diabetes: A 12-Week Randomized Clinical Trial. PLoS ONE 11(6): e0155918. https://doi.org/10.1371/journal.pone.0155918
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