Mitos e fatos sobre a soja

Soja e produtos com soja: PTS, leite, tofu


Existem várias temáticas em torno da soja que coloca preocupações no seu consumo e gera muitas dúvidas e mitos: antinutrientes, transgênicos, fitoestrogênios (aumenta os mamilos em homens? Pode substituir o leite para crianças?).


A soja contém naturalmente fitoestrógenos, chamados isoflavonas, que se assemelham ao hormônio estrogênio endógeno (produzido pelo nosso organismo).
No entanto, as isoflavonas da soja acabam tendo um efeito antiestrogênico, pois são capazes de se ligar aos receptores dos estrogênios endógenos, minimizando a ação desses hormônios. Além disso, as isoflavonas exercem também propriedades antioxidantes e anti-inflamatórias. E devido a estas propriedades antiestrogênicas, anti-inflamatórias e antioxidantes das isoflavonas que se verificam os benefícios do consumo de soja.

Estudos epidemiológicos (que acompanham pessoas ao longo do tempo) revelaram que o alto consumo de produtos de soja está associado à baixa incidência de câncer dependente de hormônio, como o de mama e próstata. Ainda, a ingestão de alimentos à base de soja é associada a uma menor taxa de mortalidade e de recidiva (menor probabilidade do cancer voltar). Pesquisadores descobriram que as mulheres com diagnóstico de câncer de mama que comeram mais soja viveram mais e tiveram um risco significativamente menor de recorrência do câncer de mama do que aquelas que comeram menos.

A soja também pode ajudar a reduzir os sintomas das ondas de calor da menopausa. Não há evidências de que a soja aumente os mamilos em homens, nem que possa afetar o desenvolvimento sexual das crianças. Para bebês (até os 6 meses) que não têm o aleitamento materno o recomendado são fórmulas à base de soja, exclusivas para esse público, não o leite de soja que encontramos nos mercados. À medida que acontece a introdução alimentar (a partir dos 6 meses quando o bebê começa a ingerir alimentos) o leite de soja comum pode fazer parte da dieta das crianças, mas como para todas as crianças o cardápio deve ser equilibrado e acompanhado por nutricionista e pediatra.

Em relação aos fatores antinutricionais presentes na soja destacam-se os fitatos e inibidores enzimáticos que bloqueiam a ação da tripsina, uma importante enzima para a digestão de proteínas, impedindo a eficiente absorção dos aminoácidos.
O tratamento térmico utilizado no processamento dos grãos inativa parte desses inibidores, e variedades de soja com diminuída quantidade desses inibidores  também foram desenvolvidas e são atualmente cultivadas. Outra alternativa é a fermentação da soja. A fermentação pré-digere a proteína em aminoácidos e inativa os antinutrientes, transformando a soja em um alimento mais biodisponível. Exemplos de produtos fermentados da soja são tempêmissô e molho de soja (shoyu).

Parte significativa da soja comercializada é transgênica, sendo a sua maioria produzida para alimentar animais criados para consumo humano. Uma preocupação comum das pessoas que decidem reduzir o consumo de carne animal é quanto aos agrotóxicos utilizados em vegetais como a soja. Entretanto, como já vimos no post sobre os agrotóxicos, a carne pode conter mais resíduos desses químicos do que os vegetais, devido à característica lipossolúvel que faz com que eles se bioacumulem nas partes gordurosas do animal. Também existem disponíveis no mercado grãos e produtos de soja não-transgênicos e orgânicos, fique atento(a) ao rótulo quando for comprar. Além disso, a soja é uma fonte proteica mais barata, fácil de armazenar, e livre de colesterol e gordura saturada, sendo uma ótima alternativa à carne.

Portanto o consumo da soja é seguro, mas como todo alimento deve ser consumida com moderação, e claro, atendendo a premissa de uma alimentação variada, todos os dias, para que possamos aproveitar ao máximo os nutrientes específicos de cada alimento mantendo o equilíbrio adequado para evitar excessos e/ou carências nutricionais.

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